Portanto seres pensantes questionam e muito! Como os nossos irmãos de Beréia. Seria isso apavorante? Não, nem um pouco. Penso...logo existo! Para Descartes pensar é sinal de existência, no evangelho de hoje, quem pensa não consegue subsistir. "Penso, logo existo" (Descartes) "Não pense, faça o que eu digo" (Alto Clero Evangélico)

domingo, 23 de setembro de 2012

O PROBLEMA DO MERCADO GOSPEL


O assunto do mercado gospel (expressão criada com o advento da “aceitação condicionada” do cristianismo no meio secular) e como deve a pessoa que se diz cristã lidar com ele, tem implicações, no mínimo, ainda bastante confusas.
Se tomarmos a vivência cristã como a autêntica tentativa (mesmo que às vezes falha) de imitar o Cristo, chegaremos rapidamente a entraves éticos que, não sei por qual motivo, ainda não foram enfrentados pela maioria cristã que diz pensar a vida.
Considerando que a postura verdadeiramente cristã é, repito, imitar o Cristo, indago: até que ponto estar inserido no mercado gospel, por meio de qualquer que seja a manifestação artística, não será considerado uma autêntica venda do evangelho?
Sim, não fechemos os olhos. Em torno de um cd/dvd evangélico lançado existe toda aquela conjuntura mercadológica que conhecemos, entremeada de contratos, promessas, quantias vultuosas acordadas, bem como as respectivas quebras de contratos, dissabores, aborrecimentos e todos aqueles elementos capazes de travestir a religião de mero negócio. Sem olvidar, também, há aqueles que já estipulam determinado valor, nada abaixo daquele valor, para apresentarem o evangelho através do talento que sabem executar muito bem.
Assim, por um lado, numa análise supostamente correta frente à vida de Jesus, uma banda musical ou artista que cobrasse determinado valor, nada menos que aquele valor, para fazer uma apresentação, não estaria coadunado com a mensagem/vida de Jesus, porquanto descaradamente estaria tratando o evangelho como negócio, na finalidade tão combatida de se auferir renda por meio da religião. Não estaria sendo humilde o suficiente para aceitar a proposta de Jesus em não tornar a sua existência, nem sua vivência espiritual, algo dissociado da pessoalidade, porque, sabemos, negócio é negócio, não se trata de pessoas. Estaria vendendo aquilo que auferiu gratuitamente.
De outro lado, numa análise mais detida, não estaríamos sendo corretos ao negligenciar o fato tão corriqueiro de músicos que vivem apenas de sua arte e que, dessa forma, procuram dar o melhor para suas famílias, como nós, os que lemos este texto, também fazemos, mesmo que por outros meios. Eles têm contas a pagar, esposas, filhos, e todo o gasto financeiro que isso implica. Negar ou não concordar com pagamento em dinheiro a pessoas que vivem da música e com você contratam, é, no mínimo, desumano, e, por conseguinte, anti-cristão.
Desta forma, como se posicionar? Há um bom tempo tenciono aplainar minhas conclusões em raciocínios ponderados, que formem a ponte entre os pólos radicalmente postos num debate. Portanto, nesse ponto aqui discutido, apelo para a consciência, fator tão repetido nas palavras de Paulo ao escrever a segunda carta aos coríntios.
A consciência de cada um é que irá valer. Isso de maneira alguma é abrir as portas para qualquer posicionamento afastado de uma justificativa plausível. Entendo apenas que os julgamentos cegamente objetivos, que partem da observação externa, ao menos nesse assunto, podem estar eivadas de vícios. Músico que é músico merece ser respeitado como profissional que é, porém, deve também respeitar os ditames éticos de sua fé. Deve saber identificar bem e se autolimitar (algo difícil de se fazer) frente àquela linha tênue que separa a pura ganância do direito inviolável de ser pago para sustentar a si e sua família.
De mais a mais, combate-se os valores absurdos. Julgo ser essa questão plenamente contornável se o artista souber abdicar de querer mais e sempre mais. Deve contentar-se com o necessário.
Agora a pergunte exsurge: e o que é o “necessário”? Isso não pode variar para cada pessoa, acabando por tornar inócuo esse conselho? Evidente. Mas aí é hora de olharmos para Jesus e julgarmos se ele assim faria caso estivesse no seu lugar.
Por fim, uma triste verdade. Ninguém, absolutamente ninguém, escapa ileso caso algum dia se torne celebridade (conceito talhado pelo meio secular e tomado pelos cristãos, claro, com roupagem nova). As consequências virão. É necessário acuidade ao almejar a fama, porque junto dela virão, inarredavelmente, todos os elementos capazes de fazerem nascer os piores vícios de alma que o ser humano pode conceber.
Há um preço muito alto a ser pago quando se deseja ingressar no chamado mercado gospel. Há um sacrifício de alma absurdo em ser rico, reconhecido e admirado.
“Eu que já não sou assim
Muito de ganhar
Junto as mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz…”
(Los Hermanos, O Vencedor)
***
Fonte: Icono Blog.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Se há céu, há inferno


Não há dúvida – muitas pessoas hoje em dia acreditam no céu. Com a mania atual de ser “cristãos que nasceram de novo” vem muita conversa e muitos hinos sobre esse lugar. No entanto, uma pessoa não pode acreditar verdadeiramente no céu sem aceitar algumas conseqüências. Uma crença sobre o céu precisa de tudo que acompanha o conceito. Exatamente quem são os que verdadeiramente acreditam no céu – como são e no que acreditam?

Aqueles que acreditam no céu são os que acreditam em Deus. Não duvidam da sua onipotência (Apocalipse 19:6), onisciência (Salmo 139:7-12) e natureza eterna (Êxodo 3:13-14). Esse Deus é justo e verdadeiro (Apocalipse 15:3) e, enquanto é bom e manso (Mateus 5:45), também é severo e deve ser temido (2 Coríntios 5:11; Hebreus 12:29).

Aqueles que acreditam no céu aprenderam o uso correto da fé e da razão. Aceitaram os assuntos sobre o céu pela fé. Eles podem não ter certeza, ou nem saber de nada, sobre muitas coisas a respeito mas perguntas não respondidas e perguntas que não tem respostas até mesmo na ciência demonstram que todos devem “andar pela fé” (2 Coríntios 5:7). O próprio conceito do céu é razoável para aqueles que acreditam. Seu Deus tem demonstrado no passado sua vontade de recompensar a fidelidade (Josué 21:43-45) e lhes dá a mesma esperança (Hebreus 4:1-13).

O verdadeiro povo de céu é “voltado para o céu”. Devido ao seu relacionamento com Cristo (Colossenses 3:1-3), eles mantêm sua visão naquela meta distante (2 Coríntios 4:16-18) e vivem como estrangeiros numa terra estranha (Hebreus 11:13-16) enquanto buscam “o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3:14).

Com suas mentes nas “coisas lá do alto” essas pessoas que buscam ir para o céu vivem vidas piedosas. Elas sabem que falar e cantar sobre o céu é completamente diferente de viver de uma maneira digna de ir para lá. Elas vivem pela vontade de Deus (Mateus 7:21), e assim manifestam o fruto do Espírito (Gálatas 5:22-23) e as qualidades de cristãos (2 Pedro 1:5-7). Em contraste, evitam as obras da carne (Gálatas 5:19-21) e se abstêm de toda forma de mal (1 Tessalonicenses 5:22).

Aqueles que acreditam no céu também sabem que algum dia haverá uma ressurreição (João 11:24) quando Deus separará o justo do injusto (Mateus 25:31-33) e julgará os homens de acordo com suas obras (2 Coríntios 5: 10). Eles também sabem o que é que vem depois e como é terrível.

Aqueles que acreditam no céu acreditam verdadeiramente no inferno. Seu Deus preocupa-se com a situação difícil dos santos (Apocalipse 6:9-10). Eles sabem que pela misericórdia alguns verão o céu e por causa da justiça alguns conhecerão o inferno (Apocalipse 11:16-18; 16:4-7).

Acreditar em um (Mateus 25:34-40) é acreditar no outro (Mateus 25: 41-46), ter esperança num (Colossenses 1:5) é temer o outro (Mateus 10:28).

“...Vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo...Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus.” (João 5:28-29; Romanos 11:22)

Profetas verdadeiros ou falsos?


Estamos ouvindo os verdadeiros profetas ou os Falsos?

“Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo. Vocês podem reconhecer o Espírito de Deus deste modo: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne procede de Deus; mas todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus. Esse é o espírito do anticristo, acerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo. Filhinhos, vocês são de Deus e os venceram, porque aquele que está em vocês é maior do que aquele que está no mundo. Eles vêm do mundo. Por isso o que falam procede do mundo, e o mundo os ouve. Nós viemos de Deus, e todo aquele que conhece a Deus nos ouve; mas quem não vem de Deus não nos ouve. Dessa forma reconhecemos o Espírito da verdade e o espírito do erro.” (1 João 4:1-6)

1. Todos os tipos de pessoas afirmam ter uma "palavra" do Senhor.

A. João sabia que os falsos profetas estavam em movimento no início da igreja.
B. Antoinette Franks - A policial que assassinou uma família.
C. Há um grande perigo para os crentes ingênuos.
D. Deus nos chama a diligência em nossa busca de sua verdade.

2. A Palavra julga todas as outras palavras.

A. João escreveu que Jesus é o padrão da verdade.
B. A melhor maneira de mostrar que um pau é torto não é discutir sobre ele ou passar o tempo denunciando-o, mas, colocar um pau reto ao lado dele.
C. Reivindicações de um profeta sobre Jesus revelam o espírito por trás de suas palavras.
D. Podemos conhecer quem é Jesus!

3. Nós não estamos sozinhos na luta para discernir a verdade.

A. João assegurou a seus leitores que eles não precisam ter medo desta luta.
B. O mundo fez o seu melhor para destruir Jesus - até mesmo ao ponto de matá-lo. Mas ele se levantou vitorioso, e prometeu estar com seu povo para sempre.
C. O povo de Deus não vai enfrentar derrota final nas mãos do Inimigo.
D. O poder do Espírito de Deus está aqui para nos guiar na busca da verdade.

4. O espírito de um profeta pode ser revelado por seu apelo.

A. João deu um contraste final entre o falso e o verdadeiro profeta, com base em sua apelação.
B. Palavras que apelam para o espírito deste mundo devem ser rejeitadas como falso.
C. Quando passamos a pensar sobre isso, que é uma verdade óbvia. Como pode um homem cujo lema é a concorrência começar a entender uma ética cujo lema é o serviço? Como pode um homem cujo objetivo é a exaltação de si mesmo e que defende que o mais fraco deve ir para a parede, começar a entender um ensino cujo princípio para a vida é o amor? Como pode um homem que acredita que este é o único mundo e que, portanto, as coisas materiais são as únicas que interessam, começar a compreender a vida vivida à luz da eternidade, onde as coisas invisíveis são os maiores valores?
D. Ao ouvirmos a Palavra de Deus, podemos encontrar a verdade para guiar nossas vidas.

Conclusão:

O falso profeta rouba a Graça de Deus, aprisiona seus seguidores. Ele quer devorá-los, escravizá-los pelos sinais, propostas de curas e bem estar terreno. Note, jamais um falso profeta se valerá do Sermão do Monte (Mt 5) e ensinará aos seus fieis as bem aventuranças; jamais pregará Cristo crucificado; jamais pregará que temos algo melhor na glória celestial.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

CAIXINHA DE PROMESSAS: AS “VERDADES” SOLTAS QUE GERAM INVERDADES ETERNAS



Vocês logo entenderão a razão dessa contraindicação que venho fazer a vocês desta vez. Trata-se da ‘caixinha de (heresias) promessas’.
Algo inusitado me aconteceu essas semanas na minha casa. E foi algo que aumentou ainda o meu repúdio por tal método de utilização da palavra do Senhor.
Encontrei na minha casa um caixinha de promessas que ganhamos não me lembro de quem nem quando. E brincando com a minha irmã sobre a credibilidade das ‘promessas’ isoladas da mesma, e tirando os versículos que ‘serviriam’ pro meu ego ser massageado tive uma triste surpresa.Nela encontrei o seguinte versículo:
“Diz em seu coração: Não serei abalado, porque nunca me verei na adversidade.” (Salmo 9:27)
Na mesma hora eu travei. E fui correr na bíblia pra ver o que isso aí queria dizer. Pois sei que o coração é enganoso e os seus caminhos não são bons em si. Logo, percebi que o capítulo 9 de Salmos só vai até o versículo 20 (susto).
Esse foi o primeiro impacto que tive diante de tal heresia.
Então fui pesquisar na internet pra ver se esse versículo estava em outro lugar na bíblia. E ENCONTREI. Trata-se a referência “Salmo 10:6″.
Porém o segundo e maior impacto. O contexto em que o versículo se encontrava. Percebam: “Por que estás ao longe, SENHOR? Por que te escondes nos tempos de angústia? Os ímpios na sua arrogância perseguem furiosamente o pobre; sejam apanhados nas ciladas que maquinaram. Porque o ímpio gloria-se do desejo da sua alma; bendiz ao avarento, e renuncia ao SENHOR. Pela altivez do seu rosto o ímpio não busca a Deus; todas as suas cogitações são que não há Deus.
Os seus caminhos atormentam sempre; os teus juízos estão longe da vista dele, em grande altura, e despreza aos seus inimigos. Diz em seu coração: Não serei abalado, porque nunca me verei na adversidade.”
Salmos 10:1-6
O contexto bíblico quebra totalmente a ideia que a caixinha de heresia nos passa. O versículo isolado poderia enredar infinitas pregações neo pentecostais, fumaças, vitória carnal, massagem de ego e engrandecimento humano.
Dessa mesma forma, o contexto bíblico derruba as heresias de hoje. Daqueles que declaram algumas coisas fora de nexo e que inflam e estufam o seu peito dos soberbos. Do mesmo jeito que satanás tentou Jesus. Usando a própria palavra de Deus para tentar iludir. E foi replicado pelo uso correto da Palavra.
Por esta grave razão, eu indico que os irmãos destruam, incinerem, enterrem, sumam com alguma coisa do tipo (risos).
Busquemos o conhecimento na palavra!
Suspeitemos daquilo que parece nos engrandecer!
Joguemos no lixo todo aquele tipo de ensinamento que esteja fora do contexto da palavra do nosso Deus!
Texto de Walisson Alves (Lalu)

domingo, 19 de agosto de 2012

FÉ QUE PENSA, RAZÃO QUE CRÊ


Deus nos convida a pensar.
Você já pensou nisso?
As páginas da Bíblia é um verdadeiro desafio que nos conduz a uma fé transcendental, porém racional, que não descarta o sobrenatural nem despreza os fenômenos que não encontram explicação plausível em nossa dimensão de conhecimento, mas que, no entanto, nunca trata o culto ao Deus – Criador reduzido a um espetáculo de crendices medievais e bizarras superstições, frutos da ignorância e do misticismo tão imperiosos na alma caída do homem.
Ao contrário do que muitos imaginam, na Palavra de Deus, se encontra a mais harmoniosa filosofia prática da história da humanidade. Nela, não há espaço para ambigüidades teóricas nem tão pouco para asseveradas discussões acadêmicas que servem apenas para massagear o ego dos intelectuais. Em sua leitura somos confrontados com as nossas arrogâncias existenciais e, então, os nossos saberes absolutos se desfazem como a poeira que é arrastada pela brisa vespertina.
Deus nos convida a pensar…
Ao contrário do que muitos imaginam a Palavra de Deus não embrutece, não emburrece, não idiotiza e, muito menos não aliena ninguém. Todas as monstruosidades e esquisitices que temos testemunhado em “nome de Deus”, não condizem com os princípios e ensinos de Cristo no Livro Santo, mas de homens que para explorar o próximo e saciar a sua sede de poder, abençoa a ignorância das massas e estimulam uma religiosidade esdrúxula, pomposa e desesperadamente imediatista.
Deus nos convida a pensar…
Não apenas ler.
Ler é o começo.
Pensar é necessário.
Leia…pense…leia…estude…viva!
Quando nos lançamos na maravilhosa experiência de conhecermos o maior de todos os livros rompemos as fronteiras escravizantes dos nossos conceitos, preceitos e pré-conceitos. O simplório achará sabedoria e será apontado por mestre. O filósofo encontrará a si mesmo e o sentido do seu existir fará brotar em seu coração / espírito, o amor, a fé e a esperança.
Deus nos convida a pensar…
Nada é simplista ou casuísta. Há sempre uma parábola profunda, uma hipérbole, um tipo, um antítipo, um paralelismo a ser compreendido. Precisamos mergulhar nas águas límpidas e restauradoras da Palavra do PAI.
Mas preste atenção!
A Palavra é do PAI!
E sendo do PAI nos remete ao FILHO, nos remete a cruz, nos remete a GRAÇA. Imarcescível Graça, incorruptível Graça, incomparável Graça, inegociável Graça de Deus em Cristo Jesus.
Irresistível Graça.
Leia…pense…estude…Não com óculos da filosofia pedante e ineficaz dos homens, nem com a ótica das pseudo-teologias doentias que transforma a ardente fé racional da Bíblia em mantras, grunhidos e especulações espirituais. Deus não nos aliena, mas nos chama a um exercício racional que nos permitirá conhecer a sua boa, perfeita e agradável vontade.
Não apenas leia, mas pense, raciocine, estude, para que possa você por você com o auxílio do Espírito viver não somente o Deus Transcendente, mas o Deus totalmente inerente, pelo qual a nossa alma clama e grita e chama:
Deus – ABA; Deus – Rafá; Deus – Nissi; Deus – Jirê; Deus – Shalom.
Deus nos convida…
…ler…pensar…VIVER!
N’Ele que vive e reina para sempre, Jesus!

domingo, 8 de julho de 2012

UMA IGREJA INUNDADA POR VENENO A ESPERA DO ANTÍDOTO


Certa vez andando pelas ruas de uma cidade e comentando com uma irmã sobre a situação de determinada igreja, ela saiu com o seguinte comentário: “pastor, aquela igreja é um ninho de cobras”. Salvo os exageros, comecei a pensar a principio, que aquela irmã estava exagerando na sua observação, afinal ali também tinha bons irmãos, pessoas comprometidas com o Reino. No entanto, refletindo sobre o modo de viver de alguns membros e lideres, descobri que aquela irmã estava correta.
Meu pensamento começou a divagar sobre diversas igrejas por onde passei e tive conhecimento de tantos absurdos que não tem nada a ver com o Evangelho de Cristo. Em muitas igrejas não existem ovelhas, e sim, cobras venenosas. Serpentes traiçoeiras em busca de alguém para matar. Sanguessugas da alma alheia.
A igreja Butantan tem produzido mais mal do que bem. Só produzem veneno, morte e destruição. Não há cura, não há restauração, não há mudança de caráter. As coisas velhas continuam velhas e nada se faz novo.
O que se vê são pastores murados e feridos. Oficiais arrogantes e sem amor; senhores e “mestres” do saber. “Donos” de Deus e conhecedores da “vontade divina”, que geralmente é sempre a favor deles. Aranhas caranguejeiras perigosíssimas. Escorpiões, cujos ferrões estão prontos para penetrar na pele de inocentes ovelhas.
A maioria não sabe o que é amor, piedade e perdão. São senhores dos destinos alheios e ignorantes das coisas de Deus. Falta-se servos, sobram-se senhores. Ou como diz uma música antiga: “muita estrela pra pouca constelação”.
Nesse “circo” se vê de tudo. Diáconos que fazem de tudo, menos “diaconar”, servir. Aliás, servir é a última coisa que passa nas suas mentes doentes. A maioria deles são marionetes nas mãos dos outros lideres mais sagazes e do que eles.
Presbíteros que são cheios de si e vazios de Deus. Insubmissos até a alma e que fazem de tudo para serem “estandartes” na igreja, destaques da escola de samba gospel. Prontos para dar o golpe no pastor que vacilar e assim tomar o seu lugar. Praticantes de uma espiritualidade vazia e sem frutos da Graça.
Pastores mil e uma utilidades, com agendas cheias e sem tempo pra orar e pregar – daí só resta animar o auditório. Ou então, aqueles cuja preocupação é apenas manter o seu “status” financeiro, afinal o povo só precisa de pão e circo. Já outros “sentem” que o tempo de Deus na sua igreja pequena já chegou. Pois ele soube que outra igreja maior está com o pastorado vago, ai ele sente que Deus o está “impulsionando” para ampliar seu ministério, desde que ele vá para uma igreja maior e que pague bem – por que será que o inverso quase nunca acontece?
Em quase toda igreja se poderia dividir o corpo de oficiais em dois grupos: os manipuladores e os manipulados. O primeiro grupo – às vezes nem precisa ser um grupo, mas um só individuo – manipula os demais para interesse próprio. O segundo, pela falta de discernimento e espiritualidade genuína, acata tudo que se diga em nome de Deus, mesmo que seja feito pelo Diabo.
Ser um “oficial” de igreja não é ser um general da alma dos outros. Um ser superior, um arcanjo no céu, embora de alma caída. Um oficial de igreja, seja ele de que denominação for, deveria servir a Deus e ser servo uns dos outros. Ser “oficial” é ser um ser-oficial, ou seja, um ser que cumpra o ofício que recebeu de Deus e despido de toda síndrome de Lúcifer. Não é ser visto é sim, fazer ser visto a Glória de Cristo.
De nada adianta pavonearem-se pros outros e interiormente serem cheios de toda malícia, veneno e sagacidade do inferno. Não passam de sepulcros caiados.
No âmbito da igreja local, na maioria dos casos, as assembléias eclesiásticas se tornaram em desfile de egos. Onde cada um defende o seu ventre, a sua bandeira, menos o Evangelho – diga-se de passagem, eles não sabem o que é. Cada um busca o seu próprio interesse e não o que é de Cristo – Fp 2.21.
No louvor a questão está cada dia pior. Muitos “ministros de louvor” ou “levitas” como gostam de serem chamados, são ministros de coisa nenhuma. São, na maioria dos casos, marionetes programadas, imitadores do grupo da moda. Pessoas sem compromisso algum com o Reino de Deus, pois o compromisso é com eles mesmos. O compromisso é apenas tocar, se apresentar, aparecer e receber ovações dos crentes ocos. Santidade, presença de Deus na alma, piedade e submissão, são conceitos desconhecidos por eles. Desconhecem completamente a Palavra, não passam de pavões “não misteriosos”.
Os grupos continuam reinando. Eu sou de Paulo, eu sou de Apolo, eu sou de Cristo etc. Nas igrejas hodiernas apenas os nomes são mudados, mas a carnalidade continua a mesma.
É reino contra reino. Muitos vivem brigando por cargos eclesiásticos. É aquele “irmão” que deseja, como uma sanguessuga da alma alheia, que o outro caia ou peque, e se isso não acontecer, fala-se mal daquele irmão para enfraquecer seu ministério. Ou então, é aquela “irmã” que tem ciúmes da outra e faz de tudo para derrubá-la e tomar seu cargo na igreja. São pessoas que amam ser destaque, está sob holofotes, amam os primeiros lugares nas sinagogas modernas.
No âmbito denominacional não é diferente da maioria das igrejas que as compõe. O que se vê também são líderes devorando-se uns aos outros. Cada um querendo tomar o lugar de destaque do colega. Dificilmente uns se alegram co o sucesso do outro. Se Deus abençoa a alguém, logo muitos se perguntam: por que não eu? Grande parte são lobos querendo posições de destaque. Fazem loucuras para serem chamados de “doutores e escribas”. Aqueles que atingem um elevado “pedestal” fazem de tudo para se manterem.
Do outro lado estão aqueles que não tiveram sua chance de aparecer, daí só lhes restam criticar o “status quo”. A política, nesse ambiente, é travestida de “vontade de Deus”. Os partidos políticos são os mesmo, as brigas são as mesmas, e a carnalidade igual. Quase toda denominação tem isso, e se você caro leitor tiver um pouco de bom senso, concordará comigo. Nada diferente da politicagem secular. Estes, pelo menos, o fazem sem a áurea de “homens de Deus” e sem a desculpa de que foi a “vontade de Deus” – ou será da panelinha pastoral?
Todo organismo vivo está sujeito a sucumbir, adoecer e morrer. Da mesma forma que ele fica saudável, ele também pode adoecer. Existem fatores internos e externos que contribuem tanto para a saúde, como para a enfermidade. Muitas igrejas estão doentes. Muitos ministérios estão inchados, como um câncer que vai roendo de dentro pra fora.
Um terrível câncer está acabando com a igreja-intituição. Sim, porque a verdadeira Igreja de Cristo, como organismo, nunca morrerá. Mas a igreja-instituição-denominação está na UTI faz tempo. Desculpe-me, não quero participar dessa loucura, desse circo. Amo a Jesus acima de tudo isso.
Aliás, o que o Evangelho diz disso tudo? “Quem quiser ser o maior, seja aquele que serve”. João Batista já dizia: “Importa que Ele cresça e que eu diminua” – João 3.30. Nada mais longe do que pensam a maioria dos crentes de hoje. No Reino de Deus o “maior” é sempre aquele que serve aos outros. Lc 9.46-48; Mt 18.1-3; Mc 9.33-37.
“Considerai os outros superiores a si mesmo”. Fp. 2.3
Qual a cura? Existe?
Eu creio que existe sim, ainda. A cura das doenças para todos os tipos de enfermidade da instituição eclesiástica, em todos os níveis hierárquicos, chama-se Evangelho, puro e simples. O “soro antiofídico” é o Evangelho de Jesus, e não há outro. E a síntese do Evangelho é o amor. O que passa disso é apenas paliativo para disfarçar as doenças da alma adoecida do cristianismo moderno.
Pode-se trocar o pastor, aumentar o templo, arregimentar pessoas, fazer a “máquina” gerar mais recursos, “climatizar” o local – embora os corações já estejam congelados – enfim, pode-se fazer isso tudo e muito mais, se não tiver amor de verdade, apenas estaremos inchando dos fariseus de plantão. Já passou o tempo da igreja parar de competir entre si. Já passou o tempo de querer ser melhor do que os outros. Já passou o tempo de se idolatrar quatro paredes. Ame e faça o que quiser, já disse Agostinho.
Quem ama se respeita;
Quem ama não se devora;
Quem ama perdoa;
Quem ama se entrega;
Quem ama é humilde;
Quem ama não se pavoneia;
Quem ama vive o Evangelho.
Mas os doentes, como viciados, não se veem doentes. Daí, nunca procurarão a cura. Como já observou Jesus antigamente: “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado algum, mas porque agora dizeis: Nós vemos, subsiste o vosso pecado”. João 9.41
O Evangelho de Jesus é muito mais que isso. O Mestre me ensina coisas mais excelentes. Servir a Deus não é devorarem-se uns com os outros pelo “osso” denominacional. Não é engalfiarem-se uns aos outros. Ao invés disso, a Palavra nos exorta: “Seja a vossa equidade notória a todos os homens. Perto está o SENHOR”. Fp 4.5
As palavras de Jesus em Mateus 20.25-28 são pertinentes: “Então Jesus, chamando-os para junto de si, disse: bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados, e que os grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal; e, qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo; bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos”.
A meu ver, grande parte dos cristãos hodiernos, são pessoas doentes da alma, nuvens sem água. São relacionalidades doentias o que mais e vê, tudo isso em nome de Deus. Almas apodrecidas pela hipocrisia eclesiástica. O que mais as igrejas precisam são de servos que sirvam e não que sejam servidos. São de pessoas comprometidas com o Reino de Deus e não com seus interesses próprios.
A minha única palavra para essas pessoas é esta: arrependa-se! Pessoas doentes da alma ficam muradas, adoecidas com uma palavra que as confrontem. A mente começa logo a preparar um ataque para poder autojustificar-se. No entanto, pessoas que desejam mudança como ovelhas de verdade, ajoelham-se e dizem como o publicano: “Ó Deus, tem misericórdia de mim pecador”.
O que você é, publicano ou fariseu?
Por Antônio Pereira Júnior

CAMINHO POR UMA RUA QUE PASSA EM MUITAS IGREJAS


Uma nova onda invadiu a rua em que moro, que por sinal, já é bastante movimentada, por inúmeros pequenos comércios surgidos nas garagens das residências. São as igrejas! Foram chegando… Chegando… e já são cinco, descontada uma, que seria a sexta, mas que faliu por causa de escândalos internos.
Se contabilizar algumas ruas em volta, teremos ao todo nove ou dez “igrejas”, salvo engano desse pacato observador.
O caráter comercial que inevitavelmente transparece na formação dessas “igrejas” é incômodo e constrangedor. Os cultos coincidem nos horários e então… Salvem-se quem puder!
Falta harmonia, diálogo, estratégia evangelística e muitas, muitas, muitas vezes respeito mínimo aos moradores que não partilham dos mesmos rituais litúrgicos.
É uma pena!
Quando criança no Evangelho acreditava que um Brasil de maioria ou pelo menos com crescimento evangélico, seria mais sensato, justo, tolerante e progressista. Poderíamos dormir descansados por causa da diminuição da criminalidade.
Talvez tenha crido numa utopia típica de Thomas Morus.
Nada melhorou.
Temos empresários sonegadores, músicos em busca do sucesso, pregadores que se locupletam usando a Palavra, patrões que furtam direitos adquiridos dos funcionários, funcionários repletos de mau caráter que causam prejuízos enormes onde trabalham, pessoas com a Bíblia na axila, mas ela não chega ao coração, políticos que fariam um favor em não mais representar os evangélicos.
Pensamentos assim me assaltam enquanto caminho do apê onde moro até o local do meu futuro trabalho (que não é uma igreja). Nesse percurso caminho quase toda a extensão da rua, e perfazendo essa trilha contemplo as igrejas entretecidas em seus ritos, os homens em suas vestes sacerdotais evangélicas, os paletós. As mulheres, já experimentam algumas liberdades, porém, ainda persiste para muitas a cadeia cultural-psicológica quando ao vestir, ao cabelo, aos brincos, etc.
As bobagens que misturam num mortífero coquetel de tristeza e chamaram de “evangelho”.
Drummond, me empreste o moto da “Canção Amiga”:
Caminho por uma rua
Que passa em muitas igrejas.
Se não vêem, Eu vejo
E saúdo velhos amigos.
Caminho por uma rua que passa…
Não cabe nas igrejas…
Estão olhando para si, e a si mesmo se enxergam.
Mas, eu as vejo, e como vejo!
Saudações velhos amigos.
Olha,
O evangélico distribui um segredo
Pois ama e sorri
Do jeito mais natural.
N’Ele, que me vê.
por: Jofre Garcia